Domingo, Agosto 19, 2018
   
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Caminho de Ferro Mineiro do Lena

carruagemO Caminho-de-Ferro já circulou na nossa freguesia, vinha da Martingança, passava por Batalha e Porto de Mós, seguindo depois até ao lugar da Bezerra, na freguesia de Serro Ventoso, de onde transportaria o carvão explorado nas minas que ali existiram, juntamente com as das Barrojeiras (Alcanadas). Era o Caminho-de-ferro Mineiro do Lena.Pelos escritos que se consultaram, verificamos que a ideia era prolongar esta linha até ao Entroncamento, ligando assim a Linha do Oeste à do Norte.


Inicialmente o comboio, que vinha da Martingança onde entroncava na Linha do Oeste, terá chegado somente à Batalha, mais propriamente ao sítio do Pinhal Manso - lugarejo situado entre a Vila Facaia e a Jardoeira -, como refere Travaços Santos no número 6 dos seus Cadernos da Vila Heróica, onde se situava a chamada "Estação Velha". Isto nos últimos anos da década de 20 do século passado.Pouco tempo depois o caminho de ferro seguiu em direcção às Cancelas, onde se construiu uma estação - a Estação Nova -, passando pelo vale do ribeiro da Calvaria, dando lugar à abertura dum sexto arco na Ponte do Boitaca.Das Cancelas avançou-se em direcção a Porto de Mós onde, no lugar da Corredoura, se construiu uma estação e, daqui seguiu para a Bezerra, serpenteando pela "serra da Pevide" em cujo cume se abriu um extenso túnel, hoje fraccionado em dois. A linha de caminho-de-ferro que ligava as minas da Bezerra a Porto de Mós, apresentava um trajecto irregular que lhe permitia vencer a estrutura da "serra da pevide".

croqui caminho ferroO Ramal do Lena - assim se chamava este ramal de caminho de ferro que atravessava os concelhos da Batalha e Porto de Mós -, era constituído por uma única via reduzida, havendo desvios para as Alcanadas e para a central termoeléctrica, em Porto de Mós.Para além de efectuar o transporte de carvão das minas da Bezerra e Barrojeiras (Alcanadas) e de outras mercadorias, no que foi muito importante para o comércio, indústria e agricultura da área, o comboio transportava passageiros, que faziam o transbordo na Martingança para a Linha do Oeste, em direcção a Lisboa.O caminho de ferro circulou por aqui, até aos finais da década de 40, deixando de fazer parte da rede ferroviária nacional no ano de 1950, conforme decreto-lei nº. 37822 datado de 16 de Maio de 1950.

O Ramal do Lena só chegaria a Porto de Mós em Setembro de 1930, como se pode ler no artigo enviado à imprensa da época pelo batalhense João Mendonça Santos e publicado nos Cadernos da Vila Heróica, nº. 6, de Travaços Santos, e de que transcrevemos excertos."Já no próximo dia 11 de Setembro (1930) será aberto à Exploração do Público o caminho de ferro do Lena que, partindo da Martingança, na Linha do Oeste, passa por esta Vila e vai até à Corredoura, em Porto de Mós, numa extensão de vinte e dois quilómetros.Esta Linha, iniciada pelo importante capitalista Manuel Vicente Ribeiro, a quem a Batalha deve em parte este grande melhoramento, a princípio terminava nesta Vila e era apenas utilizada para transporte de carvão das Minas da "Mata" e "Barrojeiras" (Alcanadas), deste Concelho.Depois de ter necessariamente pertencido a nova empresa, passou por fim para a Sociadade "The Match & Tobacco Timber Suppley Co", com sede em Lisboa, concessionária do Couto Mineiro do Lena, que dominada dum forte sentimento patriótico, conseguiu levá-la até às Minas da Bezerra, no Concelho de Porto de Mós, sendo sua intenção levá-la até às Minas da Bezerra, no Concelho de Porto de Mós, sendo sua intenção prolongá-la até ao entroncamento, ligando-a assim à Linha do Norte.

comboio-pmosA chegada a Porto de Mós, ou à Corredoura como melhor acharem, é-nos aqui contada por um dos últimos maquinistas do Mineiro do Lena, Joaquim de Matos Correia, conhecido por Joaquim Catraia, em entrevista conduzida por Ana Maria Narciso, à Rádio D. Fuas, de Porto de Mós, em finais de 2003: "Quando o caminho de ferro chegou à Corredoura, onde se encontrava muita gente houve festa graúda. O pároco de São Pedro, Padre Francisco Poças, pôs-se no cabeçote da máquina - a «Maria Alves», a máquina dos avanços da linha -, e pregou um discurso relativo à chegada da linha. "Na mesma altura chegou o senhor José Miguel Alves com um carro de bois transportando um casco de vinho, de onde toda a gente bebeu. Da estação da Corredoura, onde se encontra hoje a Ricel, o caminho de ferro continuou a linha para a Bezerra, tendo então feito o túnel na Serra da Pevide. Estiveram dois compressores muito grandes para furar a serra. Foi nessa altura que se criou também o serviço de passageiros".

Da outrora activa linha de caminho de ferro da Bezerra, que ligava as minas a Porto de Mós restam agora alguns trilhos, rodeados por uma interessante paisagem natural.

(O nosso agradecimento ao Srº Armindo Vieira,que nos concedeu os seus textos do Suplemento do Jornal da Batalha, ed. 195, 16 de Outubro de 2006 ) Suplemento do Jornal da Batalha, ed.195, de 16-10-2006.

Passeio virtual de comboio das minas da Bezerra à Corredoura I

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