Espetacularmente natural

Um estranho fenómeno geológico dá a ilusão de ser um anfiteatro natural. A Fórnea assemelha-se a um enorme abatimento da crosta terrestre começando em Chão das Pias e descendo até Alcaria.


Porque os solos da Serra de Aire e Candeeiros são ocos e apresentam vácuos, puderam dar origem às grutas, mas também a este local: uma depressão de milhões de anos rodeada de cursos de água.


Na zona da várzea existe um vale de oliveiras, enquanto que no espaço envolvente se encontram duas cascatas, e duas nascentes. A zona do semi-circulo é envolvida pela Serra de Ladeiras, Pena de Águia e Cabeço Raposeiro. As erosões provocadas pelas chuvas e pelas águas nascentes criaram um cenário natural impressionante. No interior da Fórnea encontra-se a Cova da Velha, uma cavidade com uma nascente que alimenta o Ribeiro da Fórnea.

🌳 FLORA

Matos baixos compostos por roselhas, alecrins e pilriteiros. Existem também algumas figueiras, loureiros e medronheiros.

Podem, também, ser encontrados exemplares de uma árvore rara em Portugal: a zelha. Em termos de plantas aromáticas, pode encontrar-se o poejo.

🐞 FAUNA

Pelas suas características, a Fórnea permite a existência de uma grande variedade de habitats levando a que existam diferentes espécies de fauna: répteis – cobra-de-escada, cobra-de-ferradura, sardão e lagartiza-do-mato; aves – peneireiro-de-dorso-malhado, águia-cobreira, águia-de-asa-redonda, cartaxo, tentilhão-comum, toutinegra-real, verdilhão, milheiriça, perdiz, rola, escrevedeira-de-garganta-preta; mamíferos – raposa, doninha, texugo e ouriço-cacheiro.

Passeio com história

Este era o principal meio de transporte do carvão das minas da Bezerra para a Central Termoelétrica, transformado em percurso pedestre, encontra-se agora remodelado, tornando-se numa moderna ecopista que permite realizar caminhadas, a pé ou de bicicleta.


Reunindo um vasto conjunto de mais valias, aqui pode praticar desporto, apreciar a paisagem serrana, de tal modo deslumbrante, que foi necessário criar estações observatórias, aqui e ali, ao longo do percurso para poder observá-la na sua plenitude, parque de merendas, zonas de descanso e miradouros.


O percurso desenvolve-se, essencialmente, ao longo da antiga linha de caminho de ferro, atual Ecopista, que fazia o transporte de carvão das minas da Bezerra para Porto de Mós. É uma caminhada rica em termos de beleza paisagística, faunística e floral. A certa altura a paisagem muda e o trilho é feito por entre paredes de pedra, cortada propositadamente para permitir a passagem da linha de ferro, até ao antigo túnel.


No topo norte da serra, junto aos moinhos, existe um parque de merendas, onde pode aproveitar para descansar e repor energias antes do trajecto final.

🚂 Antigo caminho de ferro

O carvão foi, desde tempos remotos, explorado na região de Porto de Mós, onde existia uma mina com bastante importância no lugar da Bezerra, freguesia de Serro Ventoso, na Serra dos Candeeiros.

As minas de carvão da Bezerra entraram, pela primeira vez, em funcionamento em 1740. No entanto, até 1876 tiveram uma exploração muito inconstante. Entre 1885 e 1888 deu-se o período de maior expansão da atividade mineira da Bezerra.

O caminho de ferro vinha da Martingança, passava por Batalha e Porto de Mós, seguindo depois até ao lugar da Bezerra, na freguesia de Serro Ventoso, de onde transportaria o carvão explorado nas minas que ali existiram, juntamente com as das Barrojeiras (Alcanadas). Era o caminho de ferro Mineiro do Lena. Pelos escritos que se consultaram, verificamos que a ideia era prolongar esta linha até ao Entroncamento, ligando assim a Linha do Oeste à do Norte.

FONTE