A nossa História

Serro Ventoso, situado na margem direita do rio Lena, pertence a Porto de Mós desde 13 de Janeiro de 1898, data da restauração do concelho. Foi conhecido também, em tempos como Serra Ventosa.

Esta freguesia, juntamente com a da Mendiga, foi beneficiada por D. Afonso Henriques no sentido de incentivar o povoamento do País. Para isso, quinze habitantes de Serro Ventoso deixaram de pagar qualquer tipo de tributação, o que aconteceu também em relação a outras localidades.

A freguesia foi outrora curato da apresentação da Colegiada de Ourém. Pertenceu ao concelho de Alcobaça, anexada por decreto de 7 de Setembro de 1895, e regressou ao de Porto de Mós três anos depois.

Em meados do nosso século, Serro Ventoso tornou-se conhecida pelas potencialidades da sua agricultura. Era larga produtora de trigo e de vinho e abastecia em vasta escala os mercados de Lisboa e do Porto através do negócio dos galináceos e dos ovos. A indústria dos mármores começava nessa altura a dar os primeiros passos. Actualmente o destaque vai para a exploração de pedreiras e para a pequena agricultura.

Do património de Serro Ventoso, a igreja matriz, no centro da freguesia, é o elemento arquitectónico mais importante. Dedicada a S. Sebastião, foi construída entre 1610 e 1613. Sujeita, posteriormente, a diversas obras que a descaracterizaram. A torre sineira foi feita apenas em 1866, segundo consta de uma placa aposta numa das fachadas.

Durante as segundas invasões francesas, em 1808, foi escondida, na Serra, a custódia de oiro e algumas outras peças de maior valor. Habitantes de Serro Ventoso tomaram essas precauções devido ao saque maciço que se previa. Fazia ainda parte do espólio da igreja matriz um prato de oferta, de latão, com o diâmetro de 0,460 metros e a figura de Adão e Eva no fundo.

Para além da igreja matriz, encontram-se disseminadas várias capelas em toda a freguesia de S. Joaquim e de Santa Ana, no lugar de Bezerra; a de S. Silvestre, construída em 1143 em lugar ermo, junto à estrada nacional n.º 362 e reconstruída em 1940; a de Nossa Senhora da Saúde, no lugar de Casais do Chão; a de Nossa Senhora do Carmo em Chão de Pias.

Referiu Raúl de Carvalho em relação a Serro Ventoso: “Diz o ditado que os povos sem história são os povos felizes. É a sabedoria milenária, envelhecida como o homem, concentrado em máxima de solidez lapidar.

E Serro Ventoso confirma essa autênticidade. Terra antiga, muito antiga, os séculos passaram lentos, como que receosos de deixar incisões sacrílegas no sossego bucólico que a rodeia”.

Porto de Bezerra, pequeno lugar da freguesia, foram descobertas há vários anos minas de carvão de pedra, que apesar de alguma impureza é aplicável à indústria, pelo que se promoveu a sua intensiva exploração. Para o efeito, tornou-se necessário também construir uma linha de ferro, de via reduzida, tendo em vista a ligação ao Alto da Serra da Pevide. Este caminho-de-ferro chegou a fazer o transporte de passageiros entre Porto de Mós e Martingança.

Lugares da Freguesia

Bezerra

2480-202 Serro Ventoso

Casais do Chão

2480-204 Serro Ventoso

Casal Velho

2480-214 Serro Ventoso

Chão das Pias

2480-206 Serro Ventoso

Codaçal

2480-207 Serro Ventoso

Ferraria

2480-208 Serro Ventoso

Figueirinhas

2480-209 Serro Ventoso

Fradilhão

2480-210 Serro Ventoso

Lagar Novo

2480-211 Serro Ventoso

Marinha de Baixo

2480-213 Serro Ventoso

Mato Velho

2480-213 Serro Ventoso

Serro Ventoso

2480-217 Serro Ventoso

Sobreira

2480-218 Serro Ventoso
Património

Painel de Azulejos


O painel de azulejos encontra-se à entrada de Serro Ventoso, no muro junto à Casa Paroquial. Foi mandado construir pela Junta de Freguesia de Serro Ventoso em Julho de 2006.

Retrata tradições da freguesia nos anos cinquenta e sessenta, do século XX, apresentando:

Os comboios nas minas de carvão, na localidade Bezerra;
Nas eiras, os homens a malhar o milho;
Os Lagares a prensar a azeitona, produzindo o tradicional azeite;
A captação de águas pluviais, denominada por barragem pelos habitantes;
A apanha de azeitona, na freguesia;
Os moinhos de vento em actividade, na moagem de cereais;
O venda de produtos à saída da missa Dominical, em Serro Ventoso.

 

O Carvão e o Bairro Mineiro

 

O carvão foi, desde tempos remotos, explorado na região de Porto de Mós existia uma mina com bastante importância no lugar da Bezerra, freguesia de Serro Ventoso, na Serra dos Candeeiros.Na região da Batalha, também existia uma mina dum modo especial na área de influência da aldeia de Alcanadas, como relata José Batista de Matos no livro “História, Cultura e Tradições das Alcanadas”.

As minas de carvão da Bezerra entraram pela primeira vez em funcionamento em 1740. No entanto. Até 1876 tiveram uma exploração muito inconstante.Entre 1885 e 1888 deu-se o período de maior expansão da actividade mineira da Bezerra.

 

Caminho de Ferro Mineiro do Lena

 

O Caminho-de-Ferro já circulou na nossa freguesia, vinha da Martingança, passava por Batalha e Porto de Mós, seguindo depois até ao lugar da Bezerra, na freguesia de Serro Ventoso, de onde transportaria o carvão explorado nas minas que ali existiram, juntamente com as das Barrojeiras (Alcanadas). Era o Caminho-de-ferro Mineiro do Lena.Pelos escritos que se consultaram, verificamos que a ideia era prolongar esta linha até ao Entroncamento, ligando assim a Linha do Oeste à do Norte.

 

Fontanário

Fontanário, mandado construir pela Junta de Freguesia de Serro Ventoso, a 25 de Março de 1967, sito na Rua do Viso e Travessa Casal do Alho, tendo sido recuperado, em Setembro de 2006.

Fornece água potável que vem da captação de águas pluviais “barragem”, para toda a população. Existem no lugar de Serro Ventoso quatro fontanários, sendo este o que apresenta uma arquitectura mais elaborada.

Lendas

Cálice de Oiro

Numa lapa situada no lugar do Poio estão escondidos um cálice e uma panela com oiro.

Fantasmas

No sítio do moinho do Zé Paulino, no Chão das Pias, apareciam dantes fantasmas, os quais capeavam as pessoas eu por ali passavam à noite. As capas eram alternadamente brancas e pretas. Para os afugentar bastava arrancar do chão um pouco de pimenteira e atirá-la ao ar em pequenos pedaços e enquanto se mantinham naquela sub-área. Por isso a pimenteira numa medrava ali.

Bruxas dos Casais do Chão

Nos Casais do Chão, no sítio do Terreiro da Balhadeira, apareciam dantes as bruxas a bailar. De noite, com luzes a apagar e a acender. De dia, em tempo de arco-íris, com roupas brancas estendidas. Que apareciam e desapareciam. Os rapazes solteiros chegaram lá a ir, mas os homens casados com mulheres novas evitam passar por lá, evitando saber o pior.

Bruxas da Póvoa

No sítio da Póvoa, bailavam as bruxas à meia noite, quando o luar estava entre nuvens. Os casados eram esmurrados, se por lá passassem os solteiros contavam os três. Uns e outros evitavam passar por lá.

Cabra de Oiro

Cerca de um quilómetro do lugar de Serro Ventoso, há uma fonte chamada “a Fonte da Cabra”, onde está enterrada uma cabra de oiro. Durante a noite vai ali beber o seu cabrito, também de oiro, o qual se ouve chorar como uma criança.

Visita Inoportuna

Na Azinhaga da Choisa Nova costumava aparecer aos transeuntes nocturnos uma mulher, a qual os acompanhava ao largo, silenciosa. Desaparecia algum tempo depois e era completamente inofensiva.

Lapa da Boqueira

Numa Azinhaga situada entre o Vale da Bezerra e a Portela de Vale Espinho, caminhava certa noite um agricultor, seguindo à sua Frente um burro carregado de azeitona. Em determinado local o burro desapareceu de repente. Procurando-o toda a noite, deu com ele na manhã seguinte na Lapa da Boqueira.

Moiras

Aos pastores do Mato Velho apareciam moiras que lhes pediam merendeiras sem sal, em troca de saquinhos com bolas pretas, quando aqueles apascentavam os rebanhos na Serra da Figueira. A bolinhas eram oiro encantado.

Curiosidades

Contrato das Amêndoas

Pela Quaresma faziam-se contratos de amêndoas entre rapazes e raparigas. Em alguns lugares eram só ou entre rapazes ou entre raparigas. Consistia o contrato num certo número de amêndoas, que podia até não ser especificado, que um dos contratantes teria de pagar ao outro. Dois a dois e com os dedos mínimos enganchados, ritmavam com sacudidelas o seguinte recitativo: “Contrato, contrato, Contrato fazemos! Quando te mandar rezar, Rezemos!” Ganhava o elemento que, ao avistar o outro no Domingo de Páscoa, primeiro dissesse: “Reza!” Por vezes este costume levava a escondidas bizarras daqueles mais sovinas, os quais se mantinham escondidos nos palheiros ou nos choisos da serra, durante todo o dia de Páscoa! Actualmente este costume ainda permanece, embora já esteja a cair em desuso. Apesar de não existirem praticamente palheiros para os contratantes se esconderem ainda há, quem se esconda nas esquinas, no Domingo de Páscoa, para apanhar de surpresa o amigo(a) com quem fez o contrato.

Almas Santas

Durante a Quaresma, grupos de rapazes percorriam a freguesia durante a noite, e parando junto de cada uma das casas, cantavam as “Almas Santas”. No fim da Quaresma percorriam de novo as casas a fim de recolherem as dádivas dos habitantes. Com o produto do Peditório eram depois mandadas rezar missas por intenção das Benditas Almas do Purgatório. Na porta cuja porta estava a ser cantada esta oração, a família se calava para ouvir em profundo respeito.

Receita de Carne à Lavrador

A “Carne à Lavrador” é um prato típico de Serro Ventoso, quando as esposas dos lavradores faziam o almoço em casa e iam levá-lo, dentro dos alfoures dos burros, ás fazendas onde os maridos andavam a cultivar as propriedades.

Ingredientes:

  • Carne de Vaca para Cozer
  • Carne de Porco Salgada (chispes, pés de porco, ossos da cabeça, entremeada, toucinho, orelha)
  • Cebola
  • Cabeça de Nabo
  • Batatas
  • Cenouras
  • Couve

Preparação: Cozem-se as carnes de porco e de vaca juntamente com a cabeça nabo e um pouco de cebola cortada ás meias luas, em água temperada com um caldo de carne. Quando estiveram quase cozidas retiram-se as carnes e adicionam-se ao caldo as batatas, cenouras, e depois de levantar fervura adicionam-se as folhas de couve.

Serve-se a carne cortada aos pedaços na travessa com batata, cenoura e couves cozidas. Sugere-se que acompanhe com broa de milho ou pão caseiro da freguesia de Serro Ventoso, cozido em forno de lenha pela padaria do lugar da Bezerra/Serro Ventoso/Porto de Mós!

Bom apetite!

 

Aproveite o ar puro das nossas serras.